A Árdua Tarefa de Compreender o Momento Político e as Eleições Presidenciais de 2018

abril 8, 2017 às 10:11 pm | Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário
Mito da Caverna

A caverna de Platão (Soccio, 1995)

por Marcos Pinheiro

Há um dia publiquei uma enquete em minha Linha do Tempo, do facebook, em que faço a seguinte pergunta aos meus amigos desta rede social: “Enquete: para as eleições presidenciais de 2018, em quem você votará?? 1- Lula; 2 – Aécio; 3 – Marina; 4- Bolsonaro; 5- Ciro Gomes; 6 – Nenhum deles”. Curti todos os comentários propositivos, ou seja, aqueles que se propuseram a responder a pergunta em questão, em detrimento ao debate entre o mais ou menos indicado entre os candidatos; afinal, minha intenção era auferir dados de opinião pública, por menos preciso que esta pesquisa possa ser (por isso se chama “enquete” e não uma pesquisa de opinião pública acadêmica/institucionalizada, como é realizada tradicionalmente, denotando certa legitimidade ou credibilidade à mesma). Mesmo com a ausência de rigor científico, metodológico, entre outros parâmetros, acredito que o quantitativo e o qualitativo (em termos de diversidade de público, uma vez que eu conheço a maior parte das pessoas que contribuíram com as suas respostas ou opiniões), possam contribuir como uma fresta de luz neste mar de escuridão que está o atual cenário político no Brasil; quiçá, o mundo.

Nesta análise, trabalho com a ideia de que três das alternativas acima –“Lula”, “Marina” e “Ciro Gomes” – podem ser mais ou menos enquadrados em um campo de Centro-Esquerda, com mais ou menos vigor neste campo. Por outro lado, as demais opções – “Aécio”, “Bolsonaro” e “Nenhum Deles” – enquadro na oposição daqueles, podendo ser categorizados em Centro-Direita, ou mesmo, Direita Radical, como no caso de Jair Bolsonaro. De qualquer forma, independente do grau de encaixe sociológico nestas categorias, os eleitores mais posicionados de um lado ou outro, deságuam em um campo mais de esquerda – opções 1, 3 e 5 – ou de direita – opções 2, 4 e 6. Ou seja, as opções ímpares são mais ou menos voltadas para eleitores simpáticos às ideologias ou Governos de Esquerda, sendo as opções pares, nas mesmas proporções, para a Direita.

A maior parte dos quase 200 comentários, efetuados em um período de 24 horas, demonstraram ser favoráveis aos personalismos políticos da volta de Lula à presidência e à vinda de um “novato” no poder executivo, o deputado Jair Bolsonaro. Nesta análise iremos restringir a interpretação a estas duas lideranças políticas, uma vez que o assunto dá “pano para manga” e minha intenção é de apenas uma pequena contribuição a interpretações do momento político. Neste sentido, penso que o desejo de retorno de Lula à presidência não é algo evidentemente surpreendente. Lula foi o político mais popular no país durante anos, tendo quase vencido as eleições de 1989, vencido duas eleições no início do séc. XXI, bem como feito a eleição e reeleição de sua sucessora, Dilma Rousseff. Por mais que os escândalos de corrupção ligados ao PT tenham afetado diretamente na popularidade de Lula, por sua sorte como liderança política, o país continua mal após o impeachment da presidenta Dilma, demonstrando para alguns que o problema da economia, da crise, persiste sem a Direção do País pelas mãos de Luís Inácio, na opinião destes, claro. Por outro lado, uma enorme gama de brasileiros criou “ódio” – algo mais forte que a oposição política propriamente dita – pelo PT e seus signatários, sendo Lula o grande alvo de ódio e crítica a esta parte da população brasileira. Pois bem, vejamos esse esquema analisado sob a ótica do perfil dos meus amigos no facebook. Será uma análise entre teoria e prática, pois envolve conhecimentos prévios de história, sociologia, ciência política, psicologia e etc…intrínsecos a pessoas de personalidade concreta, cujo conheço-as mais ou menos bem, em suas opiniões e causas de serem favoráveis a um líder ou outro.

Antes de iniciar a análise, é bom frisar que entre pontos convergentes e divergentes entre estes tipos de eleitores que irei descrever, a maioria está desesperançosa/desgostosa com a política brasileira, fazendo o quê os filósofos, como Horkheimer, chamam de “Racionalidade Instrumental” – no que tange a “Razão Subjetiva” – para uma opção eleitoral ou outra (“Eclipse da Razão”. Horkheimer, 1974). Desta forma, usam a escolha do menos pior, do mais cabível para soluções rápidas, imediatistas (de curto prazo com poder de fartura a longo prazo) ou “mágicas” aos problemas do Brasil, ou mesmo, dos seus problemas particulares ( àqueles cabíveis ao seu mundo individual, desprovidos de uma visão da totalidade para a criação de soluções orgânicas a tais problemas).

De uma lado, os “Lulistas” (vamos chamar assim para identificar este grupo), acreditam ser o melhor caminho uma futura vitória e retorno do ex-presidente uma vez que os “anos dourados” de seu Governo, especificamente o final do primeiro mandato e meados do segundo mandato – mais ou menos entre 2004-2009, nunca se viu tamanho crescimento econômico conjugado a melhorias e ampliação das políticas sociais, na história do país, pegando as palavras do próprio ex-presidente. Criação de novas Universidades Públicas e aumento de bolsas nas universidades privadas (por meio dos programas REUNI e PRÓ-UNI), ampliação do combate a fome (por meio do programa BOLSA FAMÍLIA), melhoria na democracia com o fortalecimento da Controladoria Geral da União (CGU) e da Polícia Federal, dando mais autonomia a estes instrumentos, criação de milhares de casas habitacionais populares e investimentos do Governo para fomentação e facilidade no financimento da casa própria (Por meio do MINHA CASA, MINHA VIDA), bem como programas de aceleramento da economia como os PAC’s. Em suma, uma série de esforços para melhoria da atividade econômica no país, da diminuição da desigualdade social – reduzindo a distância entre os mais ricos e os mais pobres – e a inclusão de milhares de brasileiros como sujeitos de direitos, tais como os pobres, negros, mulheres, homoafetivos, pessoas com deficiência e etc…Contudo, com o advento da Corrupção do Partido em diversas esferas, sendo a principal delas manifesta na “Operação Lava-Jato”, conjugada com uma mídia contrária ao partido, bem como uma enferma crise econômica que solapou o governo de sua sucessora, Dilma, deixou milhões de simpatizantes deste projeto desabrigados. Muitos destes migraram para outros posicionamentos políticos ou mesmo passou a ser o “caçador de sua própria espécie”, o pobre de ontem, classe média agora, assegurado sua posição de classe média, naturalizou o seu crescimento econômico e incorporou as demandas da classe média que não se fazem superadas, mas se encontram como grande gargalo, como as condições do transporte público, educação e segurança pública. Para estes, que esqueceram o processo histórico no país no qual estão inseridos, este não é um problema há muito sem solução, mas um problema causado ou piorado nas gestões do Governo do PT. E piorado, principalmente, por que a corrupção não deixa o desenvolvimento destas políticas públicas citadas. Desta forma, os “Bolsonaros” (denominação a este grupo de pessoas), passaram a fazer oposição pesada ou odiosa ao PT. No entanto, este grupo se identifica de certa forma com o “infantil anti-partidarismo” (Infantil no sentido de que todo político é partidário de algo. Não é possível fugir a esta condição. Se não é partidário de uma sigla, ele o é de uma forma de pensar e grupo social pré-existente). E por esse “partidarismo” de Bolsonaro podemos denotar alguns pontos como: seu machismo declarado, sua defesa em um Estado Liberal-Conservador, rompimento com garantias constitucionais como uma educação democrática e crítica (chamando-a de “Doutrinária”), direito a moradia, direito a vida e dignidade – legado aos reclusos, presos – entre outros.
Entre os “Lulistas” a maior parte das pessoas são jovens de classe média baixa, que veem em Lula os avanços supracitados, ou mesmo funcionários públicos, como professores, militantes ou intelectuais da ideologia de esquerda, estudantes ou profissionais graduados oriundos de universidades públicas. No outro lado, os “Bolsonaros”, são de classe média, média alta, sua maioria, sendo profissionais liberais (que dependem da livre iniciativa para se inserirem no mercado) e micro-empresários. Muitos destes são pessoas que até ontem odiavam a política, não viam correspondente de seus ensejos materializados no cenário nacional. Agora, defensores fervorosos de Bolsonaro, militantes que acreditam ter uma causa, mesmo quando questionados, não conseguem contribuir com um debate sadio, sem demonstrar ódio a opinião contrária que lhe aparece. Acreditam que “Bandido bom é bandido morto” e o país só se resolve com soluções objetivas e radicais, sendo o reformismo de Governos anteriores ( PMDB, PSDB e etc..), mesmo quando reformismos de direita, ineficazes. Portanto, para estes, é preciso de soluções enérgicas e radicais de direita para a solução em relação a corrupção, violência, educação, entre outros temas.

Contudo, o mais importante deste texto enorme já estou terminando (risos)} me parece ser demonstrar a seguinte comparação:
Os “Lulistas”, bom ou ruim, parecem ter clareza mais ou menos objetiva de como o país seria guiado caso haja uma vitória de Lula em 2018. Será reerguido o Tri-pé Desenvolvimentista: “Crescimento Econômico” + “Políticas Sociais” + “Valorização da Diversidade”.

Os “Bolsonaros” quando questionados, mostram algumas frases ou posicionamentos político em que são a favor de seu líder, mas não fazem a mínima ideia de como seria esse Governo. Não sabem como explicar o fim da violência, pois se contradizem quando dizem que este vai cortar ministérios, dentro da lógica do “Estado Mínimo”. Contudo, qualquer gestor público, cidadão crítico, sabe que para tais investiduras é preciso de recursos públicos: “dinheiro” + “funcionalismo público”. Não sabem explicar como bolsonaro vai acabar com a corrupção, pois o mesmo, diferente do que pensam, é citado na “Lista de Furnas” como um dos corruptos envolvidos, além do fato de que em uma democracia não se Governa sozinho e, portanto, ele irá ter de negociar, jogar, fazer política ou politicagem com os desiguais; ou iria ele decretar Governo Militar similar ao Trágico “Golpe de 1964”? Se você é um “Bolsonaros” que defende o Retorno da Ditadura Militar, este texto definitivamente não é para você. Para este tipo de Regime Político autoritário e seus defensores, não existe debate de ideias, diálogo. Apenas ordens e a espera de obediência (mesmo quando se sabe que obedecer cegamente é um mito, mesmo quando pegamos a Alemanha Nazista). Mesmo assim, eu vos pergunto: têm consciência de quão desastroso foi o período militar no Brasil – 1964-1985 – e quantos “anos-luz” esse país foi atrasado por causa disso?

Por isso, em síntese, de um lado estão saudosistas de quase uma década de ganhos por parcela da população brasileira por meio do Governo Lula, mesmo com suas contradições; do outro, uma parcela que não se viu representada, nem beneficiada com este Governo e acredita piamente que são eles ladrões de alta patente, capazes de transformar o Brasil em declínios jamais visto, mesmo por Tucanos. Além de corruptos, para os “Bolsonaros”, estes seriam coniventes com o fim de “putrefações” tais como: “Bandidos, Gay’s, Pobres preguiçosos ( para estes, os beneficiários do “bolsa família” nada mais são do que isso), cargos comissionados (cargos políticos), doutrinação política nas escolas e etc…”

Haveriam mais possibilidades de horizontes de expectativas além destas duas possibilidades ou estamos fadados a vitória de “Lulistas” ou “Bolsonaros”? Eis a questão de muitas que esta pequena análise pretende causar!

Anúncios

Deixe um comentário »

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: